PL pressionará por pauta de anistia em reunião com presidente da Câmara
- renato cordova
- 31 de mar.
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O Partido Liberal (PL), legenda do ex-presidente Jair Bolsonaro, intensificará os esforços para incluir na pauta da Câmara dos Deputados o projeto de anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023. Nesta terça-feira (1º), líderes do PL e da oposição se reunirão com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para discutir o tema, mesmo que ele não demonstre disposição de levá-lo a plenário.
Estratégia de pressão e busca por apoio
Bancadas oposicionistas estão mobilizadas para coletar 257 assinaturas e apresentar um requerimento de urgência, que permitiria a votação direta do texto. Além do PSD, o PL busca apoio de partidos como União Brasil, Podemos, Republicanos e PP.
Segundo aliados de Bolsonaro, dois fatores podem fortalecer a proposta:
A manifestação convocada para domingo (6) em São Paulo.
A decisão do STF de autorizar a prisão domiciliar da cabeleireira Débora Rodrigues, condenada por participação nos atos de 8 de janeiro.
Possível obstrução e impactos na pauta legislativa
O líder do PL, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), afirma que a proposta de anistia não está vinculada a Bolsonaro, mas caso seja barrada, o partido ameaça obstruir votações na Câmara, o que poderia atrasar projetos de interesse do governo, incluindo matérias econômicas.
Na semana passada, a estratégia de obstrução teve resultados mistos:✔ Quarta-feira (26) – Ação foi bem-sucedida.✖ Quinta-feira (27) – Dois acordos internacionais foram aprovados, apesar da resistência do PL e do Novo.
Foro privilegiado não é prioridade, diz PL
Após repercussão sobre a tentativa de retomar a PEC do foro privilegiado – que poderia beneficiar Bolsonaro –, o PL negou que o tema seja uma prioridade. No entanto, o vice-líder da oposição, deputado Sanderson (PL-RS), apresentou um requerimento para incluir na pauta uma proposta que extingue o foro especial em casos de crimes comuns.
Manifestações contra a anistia
No domingo (30), um ato na Avenida Paulista, organizado por setores de esquerda, reuniu 6,6 mil pessoas, segundo levantamento da USP e da ONG More in Common (com margem de erro de 12%). A Polícia Civil estimou 5 mil presentes. O protesto foi uma resposta à manifestação pró-Bolsonaro em Copacabana (16/03), que, pelo mesmo método, registrou 18 mil participantes.
Outras 11 capitais também realizaram protestos contra a anistia no mesmo dia.
Próximos passos
A reunião desta terça-feira (1º) definirá se o PL conseguirá incluir o tema na agenda legislativa ou se seguirá com medidas de obstrução. O desfecho pode influenciar não apenas a pauta política, mas também o cenário de tensão entre governo e oposição.
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